Com maior ou menor regulação, o que está em causa nesta crise nos mercados financeiros norte-americanos é uma visão da sociedade, que passa por uma análise ao modo como o mundo tem vivido desde a Revolução Industrial.
Num mundo tão global, com fronteiras abertas e onde o dinheiro passa de mãos a um ritmo incalculável, erros acumulados ao longo de anos podem redundar em consequências que afectam, principalmente, quem menos tem. É o que está a acontecer neste momento a muitos americanos que correm o risco de ficar sem as suas casas.
Mas, ao mesmo tempo, não deixa de ser importante interrogar-nos sobre a fiabilidade do “mercado” quando ele apresenta tantas falhas que num piscar de olhos conseguem fugir à regulação. E a entrada do Estado nestes assuntos de forma directa faz cair por terra anos e anos de apologia ao “deixem funcionar o mercado”.
Também não sou a favor do regresso das nacionalizações e até nem sequer vejo com bons olhos as golden-shares que o Estado detém em empresas “estratégicas”. As empresas estão abertas ao capital de qualquer lado porque beneficiam imenso isso e acabam por beneficiar igualmente os trabalhadores. O Estado deve é, no meu entender, olhar com maior delicadeza para aqueles que, não fazendo parte destes esquemas, acabam por ser os mais prejudicados.
Por cá, anda toda a gente a querer ouvir da boca do primeiro-ministro a expressão “chegou o fim da crise”. Mas a crise, essa entidade tão abstracta, que afecta mais uns do que outros, é um tema presente na sociedade portuguesa desde a parte final do governo guterrista…
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