Marques Mendes e Correia de Campos regressam por estes dias às manchetes da informação, com a publicação de dois livros: o primeiro sobre o futuro do país, o outro sobre a sua passagem pelo Governo, com a pasta da saúde.
No caso do antigo líder do PSD, “Mudar de Vida” é certamente uma forma de dizer “eu estou aqui” e uma manobra para evitar o esquecimento, numa altura em que são muitas as críticas a Manuela Ferreira Leite. Já Correia de Campos procura uma vingança pela saída do Governo. A forma como atribui a reforma do sistema de saúde, não como um meio de melhorar as condições de muitos estabelecimentos, mas como razão da sustentabilidade do sistema, é disso bem exemplo. É também uma maneira muito eloquente de criticar José Sócrates pela forma como o deixou “cair”.
Contudo, e apesar destas permissas que sempre se fazem nestas alturas (e que não mais ou menos óbvias), o que parece importante no meio disto tudo é que finalmente Portugal começa aos poucos a ter políticos que não se calam e não se importam de debater aquilo que fizeram e que em breve a História julgará. Este tipo de livros já é muito comum nas sociedades mais desenvolvidas, mas por cá teimava em manter-se um pouco afastada da realidade literária. É um bom sinal. O problema é quando se começa a debater mais o objecto “livro” e as suas intenções do que a mensagem inscrita neles.
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Tanto num caso como noutro, trata-se de fazer uma espécie de contas com o passado recente e recolocar o próprio nome na agenda.
No caso do Marques Mendes, face a uma situação atribulada no PSD nos últimos anos, para dizer que quem se lhe seguiu não fez melhor que ele.
Quanto ao Correia de Campos, para tentar mostrar que as reformas que fez visavam resultados a médio-longo prazo e não no imediato.
Tanto um como outro valem o que valem. No entanto, estas biografias começam a tornar-se corriqueiras e parece que deixa de haver, nos políticos portugueses, o que se chama de “travessia no deserto”, ou seja, deixar que o tempo auxilie na análise do que fizeram enquanto políticos. Foi isso que, por exemplo, Cavaco Silva fez durante 10 anos, o que permitiu reforçar os índices de popularidade junto de parte do eleitorado nacional.
Por iniciativa do próprio Cavaco Silva, que lhe alimentou “o tabu”, a verdade é que foram surgindo ao longo desses dez anos vários livros em que ele era, directa ou indirectamente, visado. Estou a lembrar-me de uma Biografia Política, julgo que em três volumes.
O que me parece louvável é a possibilidade de tentar, para além do imediatismo e da espuma dos dias, apresentar os seus pontos de vista, que ficarão para sempre na História, seja ela feita de que forma for.
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